Sábado, Novembro 14, 2009

A situação paradoxal de Carlos Queiroz

Depois de ver o jogo entre Portugal e a Bósnia acho que Carlos Queiroz está numa situação paradoxal: se Portugal conseguir ir à Africa do Sul a FPF deve procurar rapidamente outro seleccionador mais motivador a curto prazo; se a selecção for eliminada, então Queiroz pode continuar as suas tarefas de planeamento e treino das equipas nacionais sem a pressão de resultados imediatos.

O exemplo de Marques Mendes

No meio deste clima propício à impunidade sobre os costumes da corrupção uma homenagem é devida a Marques Mendes que, como presidente do PSD , criou uma norma cada vez mais necessária: gente pronunciada judicialmente deixa de ter condições para exercer cargos públicos até melhor prova. Perdeu a Câmara de Lisboa, foi desautorizado pelo seu eleitorado em Oeiras e em Gondomar , que me lembre.Mas é o exemplo a seguir nesta matéria.E como estão as coisas para o lado dos costumes judiciais só os partidos ainda podem salvar o regime. Com medidas como a suspensão, expulsão, ou simples retirada de confiança àqueles membros que tenham abusado da pertença a esses organismos indispensáveis à democracia.

Estado de Direito ... à bandalheira


Sobre as violações sistemáticas do «Segredo de Justiça»:

É tão culpado quem dá a bufadela, como quem a dá
a cheirar ao grande público.

Sexta-feira, Novembro 13, 2009

Do pântano para o Mundo

Nos últimos tempos até tenho revisto em alta a minha opinião sobre António Guterres. Não fui dos que o incensaram até á 25ª hora. Também não lhe caí em cima como muitos dos seus cooptados e apoiantes mal ele saiu cheirando um pântano que nunca situou, e que se estendeu entretanto. Regressa hoje, graças à revista Forbes, como uma das cem personalidades mais influentes do Mundo.É o único português em tal lista.Em que suporte virá a resposta de Bruxelas?

Notícias de Charles Smith

Não se acredita em Charles Smith. Nem quando ele confessa nem quando se desdiz. Acho-o um cromo à imagem e semelhança de quem se dá com ele. Como testemunha não tem sido apreciado. Já como fonte de informação e de notícias é uma mina.

Quinta-feira, Novembro 12, 2009

Classe Política e Classe Jurídica

A «Classe Jurídica» ainda está mais afastada dos cidadãos do que a «Classe Política», não está?

O Comissário do Pacto de Estabilidade

O equilíbrio orçamental dos países da zona euro já esteve previsto para 2002.Agora o Comissário Almunia apontou com ar desportivo uma nova meta cronológica para o mesmo efeito. Faz essa figura ano após ano em véspera das aprovações dos orçamentos dos Estados membros. Desta vez brindou-nos com um mítico 2013 .Tendo em conta já não se sabe que crise, e quem precisa de novos apoios estatais, admite que o principal esforço se faça mesmo em 2012. O nosso ministro das Finanças não se desmanchou, mas a ministra francesa com o seu «franc- parler», já disse que 2013 nem pensar.Almunia fez que não ouviu.É reciproco.

Quarta-feira, Novembro 11, 2009

Cavaco Silva desviado para as Linhas de Torres no 11 de Novembro

A Europa esteve hoje, 11 de Novembro, dia da comemoração do Armísticio da I Guerra Mundial celebrado em 1918, com os olhos postos em Paris onde França e Alemanha se deram as mãos e reafirmaram o seu credo na União Europeia. Pois em Portugal alguém obrigou o PR a recuar um século mais, a recuar para a guerra peninsular e a discursar sobre as Linhas de Torres, acto que podia muito bem ter lugar em vários outros dias. Depois queixem-se da periferia...

Sesame Street-Rua Sésamo

Celebram-se por estes dias os 40 anos da Sesame Street, e os 20 da versão portuguesa Rua Sésamo. Por razões familiares acompanhei de perto a feitura da Rua Sésamo-um marco original, e inédito, na história da televisão educativa em Portugal. Como em todas as histórias de sucesso há muitos protagonistas a referir. Mas sei que a escolha do programa foi feita pelo Fernando Lopes antes de dizer adeus à velha RTP,que Carlos Pinto Coelho o defendeu com unhas e dentes ,que os segmentos produzidos em Portugal ocupavam metade do tempo de cada programa,e que a produção, a realização,e os temas escolhidos revolucionaram a televisão em Portugal, e não só no campo infantil e pedagógico, embora a qualidade pedagógica que a Maria Emília Brederode introduziu tenha valido muito mais que tudo o que se tem dito sobre a matéria. O programa tinha um pecado original para muita gente :era de origem norte-americana, e era uma ideia de uma empresa com fins não-lucrativos ,cuja emissão estava a cargo da Public Broadcasting Service,(PBS) a estação pública dos EUA! Uma grande confusão para muitas cabecinhas com influência na nossa terra.Assisti à consagração da versão portuguesa a nível internacional quando a Maria Emília foi convidada a participar num hearing no Senado dos EUA sobre a importância do programa para a educação infantil.Quando a RTP comemorou orgulhosa os seus caseiros e corporativos 50 anos quase se não referiu à inovação que o Rua Sésamo representou para a sociedade portuguesa. Agora que a América celebra os 40 anos da Sesame Street também por cá se lembraram de assinalar os vinte anos da Rua Sésamo. Antes tarde do que nunca!

Isabel Alçada começou bem

Isabel Alçada começou bem. Aproveitou a reunião de ontem com os sindicatos dos professores para tomar a iniciativa da condução do processo de alteração de métodos ,senão de objectivos, do Ministério de Educação nesta legislatura. Antes de ter de ir a reboque de resoluções e de leis desencontradas que se anunciam já na Assembleia da República.Como era de prever, aliás.

Terça-feira, Novembro 10, 2009

Manual oitocentista

Releio, com o mesmo prazer de sempre, uma passagem do Testamento Político de D.Luis da Cunha naquele passo em que o ilustre estrangeirado aconselha o futuro rei D.José a não mostrar «logo que em certas cousas quere tomar o contra-pé do govêrno de el-rei seu pai, e que, quando se vir obrigado a fazê-lo, será mostrando que são as diferentes ocorrências que o forçam a tomar diversas resoluções;para que não pareça que V.A. as emenda, antes as venera».
Um texto que se podia afixar nas nossas escolas...

Miguel Gaspar-Um jornalista de qualidade

Há muito que me habituei a ler com atenção o jornalista Miguel Gaspar. Se não fosse jornalista de profissão seria considerado um dos grandes colunistas ao mesmo título que alguns raros . Hoje escreve no Público um artigo com um sugestivo título
O Governo oculto. Mas não é só sobre este governo.É sobretudo sobre a fraqueza dos poderes públicos em Portugal, com os resultados que estão à vista.

Segunda-feira, Novembro 09, 2009

In Memoriam -Jorge Sá Borges

Jorge Sá Borges foi o melhor ministro de Conselho de Ministro que conheci, e conheci alguns pesos pesados que hoje não entrariam em lado nenhum. Católico ,fora dirigente estudantil no início dos anos sessenta, pertenceu ao Secretariado Nacional dos Estudantes Portugueses em 1962-1963, tornou-se um advogado de sucesso.Elegante, passeou o seu charme com naturalidade. Depois do 25 de Abril ajudou a fundar o PPD, foi seu dirigente, e tinha uma estratégia para aqueles tempos: era uma espécie de Aldo Moro. Concebia o PPD em aliança com o MFA e o PCP. Foi acusado de «submarino», tal era a heterodoxia do plano visto pelos seus companheiros de partido. Apanhei-o no governo de coligação do almirante Pinheiro de Azevedo. Era um ministro que se pronunciava sobre quase toas as medidas e diplomas. As intervenções políticas de Sá Borges eram informadas, inteligentes, conciliatórias, o seu ministério o dos Assuntos Sociais. Formou uma equipa de qualidade. Saíu do PPD logo depois. Manteve-se discreto.Sempre que nos encontrávamos o riso era fácil e contagioso. Menos quando a doença começou a tomar conta dele. Aí refugiou-se em si próprio a quem devia ter muito que contar. Saudades Jorge Sá Borges.

Domingo, Novembro 08, 2009

Vida e morte do Muro de Berlim (1961-1989)

A II Guerra mundial estendeu-se por seis anos.A Guerra Fria manteve-se cerca de quarenta anos. O Muro de Berlim durou penosos vinte e oito anos. Seria bom que as celebrações do 20º aniversário da sua queda ajudassem a perceber melhor o que efectivamente se passou, antes, durante e depois.Não foi o fim da História.

A natureza da corrupção



Agora que todos falam e revisitam Claude Lévi-Strauss enquanto escrevem o seu obituário, eu gostaría de aproveitar a boleia para estabelecer uma analogia entre o seu "princípio da reciprocidade":

Todas as relações politícas são relações de sobrevivência, logo de intercâmbio de favores. Tudo legitimado por nós eleitores e pela nossa "observação participativa", portanto.

Nós fartos "deles"

Posso fazer minhas as suas palavras caro Miguel Sousa Tavares?

"Oiça, José Sócrates: o país que trabalha, que estuda, que inova, que arrisca e que dá trabalho a outros; o país que não foge ao fisco nem tem offshores e que paga impostos até por respirar; que não enriquece na bolsa nem vive a medingar subsídios do Estado; que paga a escola dos filhos, as suas despesas de saúde e o seu plano de reforma, nada esperando da Segurança Social; o país que tem pudor em fazer negócios escuros com as autarquias ou as empresas públicas (...) está a ficar farto. Acredite que está."

O Estado dizem, somos "nós". Mentira, são "eles".

São "eles" que todos os dias com o nosso voto analgésico transformam o Estado na "grande ficção" a que se referia Fréderic Bastiat. Esta ficção "da qual todo mundo se esforça para viver às custas de todo mundo".

Parece-me que está na altura de tornar o "Civil Disobedience" do Henri Thoreau em leitura obrigatória do Secundário. Parece-me que sim.

Rotulogia partidária

Se o CDS/PP era "o partido do táxi", o PPD/PSD arrisca-se a ser "o partido dos repescados".

Um presidente com maioria relativa?

Eu sei que a figura não existe. Mas as sondagens teimam em mostrar um Cavaco Silva a perder popularidade.É caso para dizer que o PR também perdeu a maioria absoluta. Isto anda mau para os adeptos do autoritarismo moderno.

Sexta-feira, Novembro 06, 2009

É o destino de quase todos

Paulo Bento disse ter estado quatro meses a mais como treinador do SCP. Porque será que não se tem consciência destas coisas a tempo?

Guerra de trincheiras

Todos sabemos como, com a chegada do Inverno de 1915, a guerra de trincheiras fixou as tropas ao solo. Foi assim no primeiro dia do debate do programa do governo. Lá mais para a frente se verá quem toma a iniciativa da perigosa ofensiva.

Quinta-feira, Novembro 05, 2009

A milhas

Não era membro da AR quando o caso das« viagens fantasmas» de deputados abrasou os espíritos em Portugal. Estava-se em pleno período do cavaquismo governamental e dir-se-ia que não havia mais mácula no sistema. Foi no tempo dourado das agências de viagens. Li hoje que a conferência de líderes resolveu proibir o desdobramento de bilhetes- o que faz regularmente- e, verdadeira novidade, retirar aos deputados a possibilidade de acumular as milhas oferecidas, uma luta travada há anos pelas companhias de aviação à escala global muito preocupadas com o destino das ditas. É bom estar a milhas de coisas tão pequenas.

Quarta-feira, Novembro 04, 2009

Delito de opinião

João Carvalho dá eco à minha sugestão da imprensa passar a indicar a fonte das suas matérias quando elas sejam oriundas de agências de comunicação. É um bom combate.Gostaria de ver mais gente do mundo do jornalismo a pronunciar-se.

Finalmente, o Tratado de Lisboa

A lentidão do processo de ratificação do Tratado de Lisboa, que finalmente terminou, dá uma ideia do minguado entusiasmo que a sua entrada em vigor suscita.Como se se começasse uma corrida a travar.

Terça-feira, Novembro 03, 2009

Prioridades e centros vazios

Neste ensaio geral sobre epidemias há uma situação que merece esclarecimento superior: por um lado, discute-se muito os grupos prioritários que devem receber a vacina anti-gripe, por outro lado há notícia que nos centros de saúde não aparecem os grupos de dez suficientes para a utilização das doses actuais.Nem vendo os Prós e Contras alguém percebe isto.

Segunda-feira, Novembro 02, 2009

Marcelo a destempo?

Marcelo Rebelo de Sousa foi o último grande líder do PSD. Empregou mal o seu talento mas derrotou, na oposição, por duas vezes o PS de Guterres. Retirou-se das lides por uma mal explicada desavença com Paulo Portas do PP. Passou-se com armas e bagagens para o comentário político televisivo que democratizou com o seu ar ladino.Refastelou-se nos estúdios. Tem uma real dificuldade em sair de um sítio em que manifestamente é feliz. Viu passar Barroso, Santana, Marques Mendes e Meneses sem se alterar.Quando Meneses se demitiu era evidente que tinha de avançar para oferecer ao país uma alternativa. Não o fez. Perdeu o seu tempo e sacrificou Manuela Ferreira Leite. Agora hesita. Ainda é pior. Assim nunca mais sai do estúdio.